sábado, agosto 12, 2006

Ser pai!!


De todas as minhas modestas dimensões humanas,a que mais me realiza é a de ser pai.
Ser pai é, acima de tudo, não esperar recompensas.
Mas ficar feliz caso e quando cheguem.
É saber fazer o necessário por cima e por dentro da incompreensão.
É aprender a tolerância com os demais e exercitar a dura intolerância
(mas compreensão) com os próprios erros.
Ser pai é aprender, errando,a hora de falar e de calar.
É contentar-se em ser reserva,coadjuvante, deixado para depois.
Mas jamais falhar no momento preciso.
É ter a coragem de ir adiante,tanto para a vida quanto para a morte.
É viver as fraquezas que depois corrigirá no filho,
fazendo-se forte em nome dele e de tudo o que terá de viver
para compreender e enfrentar.
Ser pai é aprender a ser contestado mesmo quando no auge da lucidez.
É esperar.
É saber que experiência só adianta para quem a tem,
e só se tem vivendo.
Portanto, é agüentar a dor de ver
os filhos passarem pelos sofrimentos necessários
buscando protegê-los sem que percebam,
para que consigam descobrir os próprios caminhos.
Ser pai é: saber e calar. Fazer e guardar. Dizer e não insistir.
Falar e dizer. Dosar e controlar-se.Dirigir sem demonstrar.
É ver dor, sofrimento, vício, queda e tocaia, jamais transferindo aos filhos
o que, a alma, lhe corrói.
Ser pai é ser bom sem ser fraco.
É jamais transferir aos filhos
a quota de sua imperfeição,o seu lado fraco, desvalido e órfão.
Ser pai é aprender a ser ultrapassado,mesmo lutando para se renovar.
É compreender sem demonstrar, e esperar o tempo de colher,
ainda que não seja em vida.
Ser pai é aprender a sufocar a necessidade de afago e compreensão.
Mas ir às lágrimas quando chegam.
Ser pai é saber ir-se apagando à medida em que mais nítido se faz
na personalidade do filho,
sempre como influência, jamais como imposição.
É saber ser herói na infância,
exemplo na juventude e amizade na idade adulta do filho.
É saber brincar e zangar-se.
É formar sem modelar, ajudar sem cobrar,
ensinar sem o demonstrar, sofrer sem contagiar,
amar sem receber.
Ser pai é saber receber raiva,
incompreensão, antagonismo, atraso mental,inveja, projeção de sentimentos negativos,
ódios passageiros, revolta,desilusão e a tudo responder com capacidade de prosseguir sem ofender;
de insistir sem mediação,certeza, porto, balanço, arrimo, ponte,
mão que abre a gaiola,amor que não prende, fundamento, enigma, pacificação.
Ser pai é atingir o máximo de angústia no máximo de silêncio.
O máximo de convivência no máximo de solidão.
É, enfim, colher a vitória exatamente quando percebe que o filho
a quem ajudou a crescer já, dele, não necessita para viver.
É quem se anula na obra que realizou e sorri,
sereno, por tudo haver feito para deixar de ser importante.

Arthur da Távola

Pai, nesse dia especial só tenho que lhe dizer que te amo muito e te agradecer por tudo...tudo...Vc é maravilhoso!!!

1 comentário:

Lívia Dayrell disse...

MaRAVILHOSO tudo isso! bjs